quarta-feira, 23 de maio de 2012

II - As Gerações Roubadas e a Nobreza de Quem Pede Desculpa


“Às Gerações Roubadas, digo o seguinte: como primeiro-ministro da Austrália, peço desculpa.”

4º O MERGULHO: Dizê-lo frente-a-frente
Na altura de pedir desculpa a qualquer pessoa, há que dizê-lo sem medo, cara-a-cara e a alto e bom som. Sabe bem a qualquer pessoa ouvir um pedido de desculpas sincero e direto, e muitas vezes é o suficiente para resolver problemas pendentes.
Agora, dependendo da situação em que cada um se encontra, pode cair muito bem um bocadinho de humor na forma como se pede desculpa.


Uma brincadeira destas é capaz de sair bastante cara ( por 487,50€ o avião já vos faz um percurso razoável), mas também pode deixar a Maria impressionada. Se toda a estratégia do pedido de desculpas não se basear somente numa destas acrobacias, a rapariga ou rapaz até é capaz de achar piada à ideia e, quem sabe, esquecer águas passadas.

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“Sei que, ao fazer este pedido de desculpa em nome do Governo e do Parlamente, não há nada que possa dizer hoje que faça desaparecer a dor que sofreram pessoalmente”

5º SUSTER A RESPIRAÇÂO – Compreender que podemos arrancar o prego, mas o buraco fica
As nossas palavras, por mais bem intencionadas que sejam, não podem desfazer o passado. Quando alguém fica magoado por causa de algo que tenhamos feito, magoado mais do que chateado, então é preciso perceber que a dor não arreda pé com facilidade. E aí não vale a pena insistirmos com a pessoa. O perdão não depende somente da nossa vontade, há que saber esperar ansiosamente pela sua chegada.

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“Para nós, o simbolismo é importante, mas, a menos que o grande simbolismo da reconciliação seja acompanhado por uma substância ainda maior, é pouco mais do que o soar de um gongo. São as nossas ações, não os nossos sentimentos, que ficam para a história.”

6º VOLTAR À TONA: traduzir em ações o desejo de ser desculpado
Agora é que a coisa se torna mais difícil. É neste fase que somos obrigados a parar um bocadinho e a pensar sobre os comportamentos que queremos alterar na nossa vida. Se definirmos metas concretas como, por exemplo, deixar de criticar constantemente a pessoa x, ou evitar questionar aquilo que ela diz, então estaremos no caminho certo para sermos verdadeiramente perdoados.

A minha opinião sobre aquilo que um pedido de desculpas NÃO é:
a. Murmurar entre-dentes a palavra desculpa, enquanto se olha para o chão e nos afastamos da pessoa;
b. Uma sms solitária;
c. A oferta de uma prenda bem choruda;
d. O alívio de um peso na nossa consciência – isto é mais uma consequência de pedirmos desculpa sinceramente;
e. Um berro para que o máximo número de pessoas fique a saber do sucedido.


Recapitulando, aqui estão os passos do pedido de desculpas ideal, construído com base no discurso de Kevin Rudd:
1º passo – Reconhecer que foi feito algo de mau
2º passo (opcional) – Assumir responsabilidades pelos atos de outrém
3º passo – Encarar a verdade
4º O MERGULHO - Dizê-lo frente-a-frente
5º SUSTER A RESPIRAÇÂO - Compreender que podemos arrancar o prego, mas o buraco fica
6º VOLTAR À TONA - traduzir em ações o desejo de ser desculpado

Os leitores mais atentos terão certamente reparado que, na parte I deste post, tinha-me comprometido a fazer o pedido de desculpas ideal em 7 passos. Reconheço que falhei no número. Até podia inventar uma justificação plausível, mas a verdade é que achava mesmo que seriam sete. Peço-vos desculpa, através do meio de comunicação que tenho à minha disposição, um semi-tête-à-tête. Espero que não tenha deixado nenhum leitor magoado com esta minha falha, e prometo, de futuro, fazer um esforço por cumprir com aquilo a que me comprometer. E esta, han?





2 comentários:

  1. ahah, muito bem Miguel. adorei este post! de facto pedir desculpa nem sempre é fácil... mas o principal, na minha opinião, é pedir de coração e fazer tudo para não voltar se a repetir o erro. um beijinho :)

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  2. Muito obrigado Fá. Subscrevo a tua opinião! :)
    Beijinho

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