quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Guia Para Encontrar um Potencial Católico Num Bar

São 10 da noite de sexta-feira e tu e os teus amigos decidem ir a um bar. Ainda é cedinho quando chegas lá, só uma mesa é que vai na segunda rodada de bebidas. Sentam-se e um dos teus amigos vira-se para ti e diz: “Olha só para aquele! Espera lá… Ele está a rezar o terço???” – e pronto, acabaste de descobrir um Católico no meio da multidão.


AHAH, got you! Apesar de ter consciência do valor inestimável da oração, o Católico também sabe que cada coisa tem o seu lugar e tempo devidos. Um bar é um sítio para se conversar com os amigos e dar um pezinho de dança (ou mostrar um de chumbo, para os especialistas), tanto para Católicos como para os que não o são. Na verdade, há poucos aspetos (mas importantes) em que poderás ver alguma diferença na forma como crentes e não crentes se comportam num bar. Vale a pena olhá-los de perto:


Porque é que é pecado? E o que é um pecado, afinal de contas?

Começando pela segunda pergunta, de forma muito simples o pecado é uma falta contra a razão, a verdade e a recta consciência (ler pontos 1849 e 1850 do catecismo da Igreja Católica). O pecado pode ser pequeno ou gigantesco, e a Igreja utiliza os termos venial e mortal para defini-los, respetivamente.

Respondendo agora à primeira questão, “beber em excesso é um pecado porque prejudica a saúde e porque a intemperança produz facilmente outros efeitos nocivos”. Se há alguma diferença entre o ficar alegre ou ficar podre de bêbado? Sim, há! É a diferença entre cometeres um pecado pequeno, na terminologia que usei há bocado, e um gigantesco! E a razão de ser disto é que, numa bebedeira séria, a pessoa perde completamente o uso da razão, já não sabe o que fazFicar alegre nem sequer tem de ser pecado, é quase como ires ao cinema e saíres de lá todo entusiasmado por causa do filme. Se não trouxer consequências para a saúde da pessoa, das que estão à sua volta e para a sua relação com Deus, está tudo OK.





O que está longe de ser verdade é que um Católico não pode beber álcool. É o excesso que é condenado, e não a prática em si.





Um Católico não vai a um bar ou discoteca para arranjar uma curte, maximizar o prazer que consegue retirar dela, e voltar para casa descansado da vida.
Porquê? Provavelmente há mais razões, mas uma delas é o facto de que o ato que descrevi constitui uma instrumentalização de outra pessoa para obtenção de um prazer pessoal, e muito provavelmente sem vista aos efeitos emocionais que poderá causar... E será que preciso mesmo de recorrer aos ensinamentos da Igreja relativamente a este assunto? Lá no fundo, que tipo de relações é que queremos ter?

Agora, isto quer dizer que um Católico não pode dançar com uma rapariga amiga, ou que não conheça (e vice-versa)? Claro que não! A palavra-chave aqui é instrumentalização, como já referi. Qual a intenção dos teus atos? Divertires-te, passares um bom bocado com outra pessoa sem fazer dela um instrumento para qualquer coisa? Então força!

Quanto ao guia que o título do meu post promete fazer, se queres mesmo tentar adivinhar quem é um potencial* Católico num bar ou discoteca, procura por algum dos comportamentos que referi. É capaz de ser um jogo engraçado!

*potencial, visto que assim como é muito provável haver católicos que não vivem de acordo com a sua fé, também é possível encontrar boas pessoas que não sejam católicas!


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Guide to Find a Potential Catholic In a Bar

It's 10pm on a friday night and you and your friends decide you're going to a bar. It's still early, so only one of the tables is already in the second round of drinks. You sit down and one of your friends comes to you with this one: "Look at that guy! Wait a moment... Is he praying the rosary???" - and that's it, you've just found a Catholic in the middle of a crowd.


AHAH, got you! In spite of being aware of the priceless value of prayer, a Catholic person knows that everything has its proper place and time. A bar is a place where you talk to your or friends, or show your dancing skills (or the absence of such - for the specialists) as much for Catholic people as it is for those who are not. In fact, there are only a few issues (but important ones) in which you might notice some differences in the way that believers and non-believers behave. Let's take a closer look at some of them:


Why is it a sin? And what is a sin anyway?

Beginning with the second question, and in a simple way, a sin is a foul against reason, truth and rightful conscience (read bulllet points 1849 and 1850 from CCC - cathecism of the catholic church). The sin can be little or gigantic and the Church uses the terms venial and mortal to define them, respectively.

Answering to the first question, "overdrinking is a sin because it harms one's health and because imtemperance easily causes other harmful effects". Is there any difference between the "getting happy" feeling and being completely drunk? Yes, there is one! It's the difference between commiting a sin that's small, using the terminology above, and one that's gigantic! And the reason why this is so is that, in a serious state of drunkness, the person completely loses the use of reason and knows no longer what she's doing. Getting "happy" does not even have do be a sin, provided that it does not have any consequences to one's health, the one of the people around them and to their relationship with God. 

What's far from being true is that a Catholic cannot drink alcohol. It's the overdrinking that's condemned, not the drinking itself.


A Catholic does not go to a bar or disco to have a one night affair, get as much pleasure as he/she can from it, and go back home with a tranquil mind.
Why? There are probably more reasons why, but one of them lies in the fact that the act I described is an example of a sheer instrumentalization of another person in order to get personal pleasure, and much likely not taking into account the other person’s feelings… And do I really need to turn to church’s teaching regarding this matter? Deep down, which type of relationships do we want to have?

Now, does this mean that a Catholic cannot dance with a friend or someone who he/she does not know at all? Of course it doesn't (mean that...)! I'd say the keyword here is instrumentalization, as I've mentioned before. What's the intention of your actions? Having fun, hang out for a while without making an instrument out of him/her? Then go ahead!

As for the guide that my post's title promises to make: if you really want to try and guess who's a potential* Catholic in a bar or disco, try to find some of the behaviours I described. It might be a fun game!

*potential, as not every Catholic always behave according to what the Church teaches (for not knowing it or rejection of such), and because there are also some non catholic people who behave the way I described.





4 comentários:

  1. gostei da tua visão sobre o assunto. especialmente por ser um assunto que pode por vezes, estupidamente gerar polémica dentro da própria igreja...

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    1. Obrigado! Já agora acrescento que muitas das coisas que escrevi se baseiam na visão da igreja, não só na minha.

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  2. Bom post!

    Uma vez numa conferência ouvi um padre dizer que

    "O melhor sítio onde um copo de Whisky pode dar glória a Deus é nas mãos de um cristão."

    E isto é mesmo verdade. Se o cristão quiser ser mesmo cristão, isto é, ser santo.

    Daí a importância daquilo que dizes no fim do post, assim como podem haver muitos "cristãos" que de facto não vivem na noite como devem, também é possível encontrar não-cristãos a viver bem.

    Isto também só mostra que os cristãos fazem o bem não porque a Igreja diz mas porque é isso que é mais natural ao ser humano, parece-me!

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