quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Nação Valente, Não te Vás Embora

Portugal está virado do avesso. E quando o cenário está negro, quando aparecem a revolta e o desespero genuínos, coisas sem sentido começam a acontecer.

Os hospitais tentam ir buscar dinheiro onde ele não existe, através da cobrança de dívidas perscritas há anos.

As redes sociais condenam com uma severidade incrível as palavras, talvez mal escolhidas mas com um fundo de verdade, de quem dedicou vinte anos da sua vida a dar comida a quem não tem de comer.

Algumas pessoas, vendo-se insatisfeitas com o simples protesto, começam a arrancar pedras da calçada e, juntamente com elas, arremessam qualquer réstia de humanidade e empatia que tivessem. Aquilo de que se devem ter esquecido no momento em que o fizeram, é que eram polícias que estavam do outro lado: pessoas a fazer o seu trabalho, que nessa manhã se levantaram tão chateados com o estado do país como aqueles que os apedrejaram.


Foto retirada daqui

Quanto a essa manifestação de selvajaria, já ouvi o argumento de que as 20 ou 30 pessoas que mandaram pedras foram uma minoria e que não podem, de forma alguma, descredibilizar a luta de um povo inteiro. Eu pergunto: e então as restantes 2.000 que, não estando a atentar contra a integridade física dos polícias, ficaram impávidos e serenos a observar a cena? A polícia avisou para dispersar, e acho que isso era o mínimo que qualquer pessoa que não quisesse representar aquele grupo violento devia ter feito. Mas muita gente não o fez. Se concordo que devemos lutar por aquilo que acreditamos poder mudar para melhor: sim! Agora apedrejar quem quer que se ponha no nosso caminho é, no mínimo, animalesco.

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Infelizmente para o meu blogue, aquilo de que o país precisa neste momento não é tanto do lema "Até dá que falar", mas mais do "Até Dá que Fazer".

  • Até dá que fazer aquilo que nos compete, no nosso local de trabalho, da melhor maneira possível, porque se não o fizermos o país não anda para a frente.
  • Até dá que ajudar o país a sair da situação complicada em que está: aceitando que mais facilmente conseguimos fazer alguma coisa de bom se assumirmos responsabilidades, do que se esperarmos que, de um dia para o outro, todo o governo e medidas associadas mudem para algo diferente. Estamos demasiado comprometidos com outras entidades, nomeadamente a troika, para que isso aconteça.
Pergunto-me agora "O que é que já fiz para ajudar Portugal a sair da crise em que está, com tanta gente a passar fome e desempregada?", e sem dúvida que já podia ter feito mais.

Sugestões?

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